Justiça mantém prisão preventiva de pais suspeitos de matar bebê com 24 facadas
Uma tragédia chocou os moradores da cidade de Patos, no Sertão da Paraíba. Um bebê de apenas 23 dias de vida morreu após ser atingido por 24 golpes de faca dentro de uma residência no local.
Os pais da criança, ambos com 19 anos, foram presos em flagrante e tiveram suas prisões convertidas em prisão preventiva após audiência de custódia realizada pela Justiça da Paraíba. Ambos responderão por homicídio qualificado e omissão.
De acordo com informações fornecidas pelo Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) da cidade, o laudo pericial revelou detalhes estarrecedores sobre o crime: Foram contabilizados 24 golpes de faca no corpo do recém-nascido. 13 ferimentos foram na parte posterior (costas e braços) e 11 na parte frontal (abdômen, rosto e tórax). Uma das facadas perfurou o coração da vítima. Segundo o perito responsável, o bebê não teve morte imediata e agonizou antes de vir a óbito.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionado pela Polícia Militar, mas ao chegar ao local, a criança já foi encontrada sem sinais vitais em cima de uma cama.
Após a prisão em flagrante, o pai foi encaminhado para o Presídio Masculino Romero Nóbrega e a mãe para o Presídio Regional Feminino, ambos na cidade de Patos.
Em depoimento à Polícia Civil, o casal que já estava separado há algum tempo e teria se reencontrado na casa apenas para a retirada de móveis apresentou depoimentos completamente contraditórios, trocando acusações mútuas sobre quem teria praticado o crime.
A equipe do delegado encarregado trabalha atualmente com duas hipóteses principais: A mãe teria praticado o ato sozinha. O pai participou diretamente do crime ou se omitiu enquanto o fato acontecia. Em uma das versões apresentadas, a mãe alegou ter filmado a ação com o celular. Contudo, em vistoria preliminar no aparelho, a polícia não encontrou nenhum registro em vídeo. O telefone foi apreendido e passará por perícia técnica detalhada.
A brutalidade do crime provocou forte comoção e indignação na comunidade local. Na madrugada seguinte ao ocorrido, vizinhos e moradores da região invadiram a residência onde a tragédia aconteceu.
Objetos e móveis do imóvel, incluindo uma cama e um colchão, foram arrastados para a rua e queimados. A Polícia Militar realizava rondas na área, mas o ato de vandalismo ocorreu nos intervalos das passagens das viaturas.
A Polícia Civil esclareceu que o ato de revolta não comprometeu a investigação, pois a perícia na cena do crime já havia sido concluída no dia anterior. As autoridades agora trabalham para identificar e responsabilizar os autores do arrombamento e do incêndio.
Com a conversão da prisão para preventiva, os suspeitos permanecerão custodiados enquanto as investigações avançam. A polícia continua ouvindo testemunhas, vizinhos e aguarda a conclusão dos laudos do celular apreendido e do Instituto de Polícia Científica (IPC-PB) para fechar o inquérito policial.
Com o G1
