ANÁLISE | Adesões de prefeitos não bastam: Quaest e Seta mostram Veneziano resistindo ao avanço de Nabor
A política paraibana entrou na reta final da campanha com um roteiro que parecia previsível. Uma sequência de adesões de prefeitos ao projeto de Nabor Wanderley (Republicanos) alimentou a expectativa de uma virada consistente na corrida pelo Senado. Nos bastidores, o movimento foi vendido como um divisor de águas. Na prática, porém, as pesquisas contam uma história bem diferente.
Os levantamentos da Quaest e da Seta colocam um freio na narrativa de que a avalanche de apoios institucionais teria provocado uma mudança significativa no cenário eleitoral. Pelo contrário: mostram que Veneziano Vital do Rêgo (MDB) continua no páreo e preserva a segunda colocação, mesmo enfrentando uma série de defecções entre prefeitos que antes integravam sua base.
A primeira fotografia veio da pesquisa Seta, realizada entre os dias 16 e 18 de setembro e divulgada pelo Polêmica Paraíba nesta quinta-feira (24). Nela, João Azevêdo aparece isolado na liderança, com 37,1% das intenções de voto. Veneziano surge em seguida, com 17,3%, enquanto Nabor registra 10,7%. Marcelo Queiroga aparece logo atrás, com 9,8%, em situação de empate técnico com o candidato do Republicanos.
O levantamento ouviu 1.500 eleitores, possui 95% de nível de confiança, margem de erro de 2,5 pontos percentuais e está registrado sob o número PB-04749/2026.
Dias depois, a pesquisa Quaest, divulgada pelas TVs Cabo Branco e Paraíba, manteve praticamente o mesmo desenho da disputa. João Azevêdo aparece com 28%, Veneziano com 18% e Nabor com 12% das intenções de voto.
A Quaest entrevistou 804 eleitores entre os dias 18 e 21 de setembro, período em que a estrutura política de Nabor já operava intensamente para ampliar o número de prefeitos aliados. O levantamento possui margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob os números PB-01325/2026 e BR-09990/2026.
O dado mais interessante não está apenas nas porcentagens. Está na comparação entre elas.
Enquanto Nabor acumulava anúncios quase diários de novas adesões, chegando à marca de 12 prefeitos em poucos dias, seu desempenho variou apenas dois pontos percentuais entre um levantamento e outro. No mesmo intervalo, Veneziano, mesmo perdendo aliados importantes, também cresceu um ponto.
É um contraste que merece atenção.
Na política municipal, prefeitos possuem estrutura, capilaridade e influência. Mas influência não é sinônimo automático de transferência de votos. As pesquisas sugerem justamente isso: há um limite entre o apoio político formal e a decisão do eleitor na urna.
A reta final da campanha passa, então, a impor um desafio diferente para Nabor. Se o objetivo é alcançar Veneziano antes da votação, apenas ampliar a lista de prefeitos aliados pode não ser suficiente. Os números indicam que será necessário converter essas adesões em voto efetivo, algo que, até agora, aparece de forma tímida nos levantamentos.
Sob essa ótica, o cenário permanece aberto na disputa pela segunda vaga mais competitiva da eleição. João Azevêdo lidera com folga, enquanto Veneziano demonstra capacidade de resistência mesmo diante da ofensiva adversária.
No fim das contas, a campanha entra em seus últimos dias com uma constatação evidente: as adesões movimentaram o tabuleiro político, mas ainda não produziram uma mudança proporcional no eleitorado medida pelas pesquisas Quaest e Seta.
Redação/ExpressoPB
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