Careca do INSS sobre amiga de Lulinha: ‘Tá na folha? Tem que resolver’
Mensagens revelam pressão do empresário pivô do escândalo dos aposentados e cobrança por resultados do suposto tráfico de influência
O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, é onipresente em uma das investigações mais tormentosas da Polícia Federal: a que apura os responsáveis por desviar 6 bilhões de reais de cerca de 4 milhões de aposentados e pensionistas do país.
O Careca do INSS se aproximara do primogênito do petista em festas ainda no início do governo, o convidou para viagens ao estrangeiro e contava com o parceiro de ocasião para que as portas do governo se abrissem para seus interesses, que eram múltiplos. No Ministério da Saúde pretendia receber aval para a produção de medicamentos à base de canabidiol e depois os vender para o governo; na Dataprev tentava se aliar a quem pudesse derrubar travas tecnológicas que dificultavam descontos em folha de empréstimos de aposentados.
“Falei para o Fábio q se ele articular logo o negócio do canabidiol vc vai pra África com a gente”, disse a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e contratada de Careca, a um interlocutor em dezembro de 2024. Para a Polícia Federal, o diálogo, um entre dezenas que tratam das relações nebulosas de Lulinha, permite “verificar que possivelmente o articulador de todo o esquema realizado pelo grupo é Fabio”. “Por ser filho do Presidente da República ele pode ter obtido acesso às pessoas certas que têm o poder decisório para aprovar e levar adiante projetos que envolvam elevado dispêndio financeiro”, escreveu a corporação no relatório anexado ao inquérito.
“Ontem eu disse para Fábio: Antonio tá pressionando e acho bom vc se mexer”, disse novamente Roberta em uma mensagem ao mesmo interlocutor em 23 de janeiro de 2025. Dias antes, em 16 do mesmo mês, Roberta e Gustavo Gaspar, amigo e sócio do Careca, trocam inconfidências sobre segredos que mantinham sobre o empresário, capazes de leva-lo a ter de prestar contas à justiça, enquanto Gustavo relata uma afirmação que diz ter vindo de Camilo Antunes: a de que a lobista “ta na folha” de pagamentos dele e, portanto, teria de resolver os impasses que atravancavam seus negócios.
Para a Polícia Federal, é possível depreender que outros associados da lobista, como Lulinha e o empresário Fernando Bittar, também estavam no rol de pagamentos dele. “Destaca-se a afirmação de GUSTAVO “Q ta na folha“, o que pode ser entendido como estar na folha de pagamento, ou seja, ANTONIO pode ter o dever de repassar valores periodicamente a ROBERTA e seus associados. (…) Com referência a ROBERTA, foram identificadas remessas de valores de empresa ligada a ANTONIO para empresa ligada a ROBERTA desde novembro de 2024 até abril de 2025, num total de quase 1,5 milhões de reais”, apontam os investigadores.
Fábio Luis Lula da Silva mora fora do país desde julho de 2025, quando a Polícia Federal já fechava o cerco contra a quadrilha que lesou em bilhões de reais os cofres do INSS. A operação de mudança do filho mais velho do presidente para a Espanha vinha sendo guardada a sete chaves mesmo da cúpula petista, mas não da amiga lobista Roberta Luchsinger. Ela registrou por diversas vezes que precisava agilizar as transações do grupo “porque tenho que tirar o Fábio e a família do país até julho”. O motivo para a mudança repentina ela não deu. A Polícia Federal tem suas próprias suspeitas.
Com Veja

