A busca por respostas levou muitos jovens eleitores a apoiar as plataformas mais voltadas para o mercado dos candidatos da direita e do centro do espectro político, acrescentou ele.
Em uma manifestação realizada em abril na Avenida Paulista, em São Paulo, John Vitor Lima, estudante de jornalismo de 28 anos, e dezenas de seus colegas se reuniram para protestar contra o escândalo do Banco Master que colocou em risco os fundos de previdência públicos.
A maioria dos manifestantes era composta por jovens que exigiam o fim da corrupção e penas mais severas para os criminosos.
A organização da manifestação ficou a cargo do Missão, liderado por Santos. Foi a segunda manifestação da qual Lima participou.
Santos propôs facilitar a prisão de suspeitos de pertencerem a gangues e vincular o uso de verbas federais destinadas aos partidos políticos ao desempenho de seus prefeitos.“A nossa geração não está em pontos de poder”, disse Lima, refletindo sobre o apelo do jovem candidato conservador. “O Renan é uma esperança no sentido de agora ter 40 anos de idade. Mas, no geral, as pessoas que estão em cargo de poder são pessoas mais velhas."
Em uma pesquisa realizada em maio pela AtlasIntel, Santos conquistou impressionantes 36% dos eleitores com idades entre 16 e 24 anos, superando tanto Lula quanto seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar de sua popularidade entre alguns jovens eleitores, Santos ainda registra índices de intenção de voto de um dígito entre o eleitorado. Mesmo assim, sua campanha faz parte de um processo de renovação de anos entre os partidos de direita, que incluiu alguns dos mais jovens deputados federais em Brasília.
Os principais candidatos na disputa presidencial brasileira refletem a mesma dinâmica. Flávio Bolsonaro, que atrai o maior número de votos na direita, tem 45 anos. Lula, de 80 anos, é o presidente mais velho do Brasil.
No início deste ano, um representante do PT afirmou que o partido continuava buscando se aproximar dos jovens eleitores, envolvendo-os em questões como as mudanças climáticas — um tema que, segundo eles, afetará mais a juventude —, ao mesmo tempo em que lembrava aos eleitores o legado prejudicial de Jair Bolsonaro em relação ao meio ambiente.
Lula também demonstrou empatia com a frustração dos jovens, dizendo em abril que sabe que existe uma percepção de corrupção, mas exortou os jovens eleitores a participarem politicamente. “Quando vocês estiverem achando que ninguém presta... ainda assim não desistam da política, entrem na política".Flávio Bolsonaro, por sua vez, vem postando vídeos incentivando os jovens a votar, fazendo um apelo em deles: "você faz tudo certo, e mesmo assim não sai do lugar".
(Reportagem de Manuela Andreoni e André Romani; Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, em Brasília)
Com informação: noticias.uol.com.br