O Ministério Público Federal recebeu uma denúncia do sindicato Sintect-RJ sobre um esquema de tráfico de influência e “rachadinha” nos Correios. Cerca de 300 pessoas teriam sido contratadas em troca de parte dos salários durante a gestão de Fabiano Silva dos Santos, que nega as acusações.


O ex-presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, participa do programa A Voz do Brasil.

Como funcionava o esquema de rachadinha denunciado pelo sindicato?

De acordo com os relatos de 13 testemunhas, o esquema consistia na aprovação de nomes para cargos de gestão na estatal sob a condição de que o funcionário repassasse um percentual de seu salário ou gratificação. Os valores variavam entre R$ 50 e R$ 1 mil mensais, representando de 5% a 15% dos ganhos do trabalhador. O dinheiro seria depositado regularmente na conta de um gestor que atuava como o tesoureiro da estrutura criminosa.

Quem são os principais envolvidos na denúncia encaminhada ao MPF?

Os principais acusados são o ex-presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, e o secretário-geral da federação nacional de trabalhadores (Fentect), Emerson Marinho. Segundo os denunciantes, havia uma relação de interesses onde Emerson agia como um agenciador de cargos de confiança usando a associação sindical como fachada. Ambos negam qualquer irregularidade e afirmam que a denúncia é fruto de perseguição política ligada a disputas pelo comando do sindicato.

Por que a investigação foi transferida do Rio de Janeiro para Brasília?

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro transferiu o caso para o Distrito Federal porque os principais investigados ocupam cargos de abrangência nacional e trabalham fisicamente na capital federal. Além disso, a sede administrativa dos Correios fica em Brasília, local onde a maior parte das decisões e condutas citadas teria ocorrido. O caso está agora em fase de averiguação preliminar, onde os procuradores cruzam informações antes de abrir um inquérito formal.

Qual é a situação financeira atual dos Correios em meio a esse escândalo?

A estatal enfrenta sua pior crise financeira histórica. No primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram um prejuízo de R$ 3,1 bilhões, quase o dobro do saldo negativo registrado no mesmo período do ano anterior. Para tentar evitar a quebra da empresa, a diretoria precisou recorrer a um empréstimo de cerca de R$ 20 bilhões junto a bancos estatais e ao mercado, além de implementar planos de demissão voluntária para reduzir custos fixos.

O que a prática de rachadinha pode acarretar judicialmente aos envolvidos?

Como a legislação brasileira não possui um nome específico para o crime de 'rachadinha', os investigados podem ser enquadrados em crimes como concussão, que é quando um funcionário público exige vantagem indevida em razão do cargo, ou peculato, que envolve a apropriação de bens públicos. Além disso, os denunciantes sustentam que os fatos configuram tráfico de influência, associação criminosa e atos de improbidade administrativa, que podem gerar multas e perda de direitos políticos.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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