Cachês de Pablo e Xand Avião vão custar mais de R$ 1,5 milhão aos cofres da Prefeitura de Monteiro durante o São João 2026.

A Prefeitura de Monteiro, no Cariri paraibano, deve gastar quase R$ 4 milhões apenas com contratações de atrações musicais para o São João 2026, mesmo diante da crise financeira enfrentada pelos municípios brasileiros por causa da redução dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Os contratos já homologados pela gestão municipal chamam atenção pelo alto valor investido em festas enquanto áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura, seguem enfrentando problemas históricos no município.

Os dados das inexigibilidades publicados pela própria prefeitura mostram cifras milionárias para artistas nacionais e regionais que irão se apresentar entre os dias 24 e 28 de junho no Parque de Eventos Dejinha Monteiro. Somente o cantor Xand Avião foi contratado por R$ 800 mil. Pablo terá cachê de R$ 715 mil. Limão com Mel custará R$ 350 mil, mesmo valor pago a Michele Andrade e Jonas Esticado. Walkyria Santos receberá R$ 250 mil e Toca do Vale outros R$ 280 mil.

Também aparecem na lista contratos para Noda de Caju, Juarez, Luciene Melo, Forró Du Momento e Forró Mais Eu. Somando apenas os valores já publicados oficialmente pela Prefeitura de Monteiro, os gastos ultrapassam R$ 3,5 milhões, podendo se aproximar de R$ 4 milhões com estrutura, som, iluminação e demais despesas do evento.

A programação do São João 2026 já foi lançada, durante evento realizado no Centro de Treinamento e Capacitação. A festa é considerada uma das mais tradicionais do Cariri paraibano e contará com apresentações gratuitas, quadrilhas juninas e eventos na zona rural.

Apesar da tradição cultural do evento, o volume de recursos públicos destinados às festividades acontece em um momento de forte pressão financeira sobre os municípios. Prefeituras de várias regiões do país têm alegado dificuldades para manter serviços básicos devido à queda nos repasses do FPM. O próprio Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) e o Ministério Público vêm alertando gestores sobre gastos considerados excessivos com festas enquanto cidades enfrentam problemas estruturais e dificuldades administrativas.

As recomendações dos órgãos de controle orientam que prefeitos adotem responsabilidade fiscal, priorizando investimentos em áreas essenciais como saúde pública, educação, abastecimento de água, pavimentação e infraestrutura urbana. Mesmo assim, Monteiro optou por investir valores milionários em atrações artísticas em meio ao cenário de crise.



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COM FONTE 83