Segundo O Globo, rombo em estatais é rotina na gestão de Lula
Déficit no início de 2026 já se aproxima do total registrado em todo o ano anterior
Um editorial publicado neste sábado (4) pelo jornal O Globo afirma que empresas estatais federais vêm registrando prejuízos recorrentes durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo dados do Banco Central do Brasil, apenas no primeiro bimestre de 2026 o déficit acumulado das estatais chegou a R$ 4,16 bilhões — o pior resultado para esse período desde o início da série histórica, em 2002.
Resultado supera anos anteriores
O valor registrado nos dois primeiros meses do ano supera em R$ 2,8 bilhões o resultado observado no mesmo período de 2025. Além disso, já se aproxima do total de perdas de todo o ano passado, que foi de R$ 5,1 bilhões.
O recorde anterior para o primeiro bimestre havia sido registrado em 2024.
Estatais atuam em setores estratégicos
As empresas controladas pelo governo federal atuam em áreas consideradas estratégicas ou de interesse público, como logística, energia, infraestrutura e serviços financeiros.
Entre as principais estão Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Também há companhias menores que enfrentam dificuldades financeiras, como Correios, Infraero, Serpro, Dataprev, Hemobrás e Casa da Moeda do Brasil.
Correios são destaque negativo
O editorial destaca os Correios como principal exemplo da situação. Entre janeiro e setembro de 2025, a estatal acumulou prejuízo de R$ 6 bilhões.
Para enfrentar dificuldades de caixa, a empresa recorreu, em dezembro, a um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a bancos públicos e privados, com garantia do Tesouro Nacional.
Além disso, um plano de desligamento voluntário (PDV) teve adesão de 2.347 funcionários até março, número abaixo da meta de 10 mil.
Críticas à política para estatais
No texto, o jornal avalia que, apesar do discurso do governo sobre eficiência e modernização, a tendência é de agravamento da situação, especialmente diante da resistência em privatizar empresas deficitárias.
"Os Correios são apenas o sintoma mais agudo da moléstia que aflige estatais que dão prejuízos crônicos e jamais deveriam ser mantidas em poder do governo", afirma o editorial.
O jornal acrescenta: "Empresas privadas têm mais liberdade para otimizar custos e investir. Portanto insistir no erro de manter um sem-número de atividades sob comando estatal só aumentará o rombo, que o contribuinte será invariavelmente convocado a cobrir."
Debate sobre metodologia do Banco Central
O editorial também critica a posição do governo federal em relação aos cálculos do Banco Central, utilizados para medir o déficit das estatais.
Segundo o jornal, a metodologia segue padrões internacionais ao considerar a variação da dívida, enquanto o Planalto teria questionado esses critérios.
Fonte: Agora Notícias Brasil
